CRÉDITO CONSIGNADO DO TRABALHADOR: QUANDO O ENDIVIDAMENTO DO FUNCIONÁRIO CHEGA À EMPRESA

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Img20201027124607494 1 768x512 - Thargo Contabilidade

 

Um alerta aos empresários
sobre um problema que começou fora da empresa,
entrou na folha de pagamento
e não deve ser ignorado.

A ampliação do empréstimo consignado para trabalhadores da iniciativa privada, por meio do Crédito do Trabalhador, facilitou significativamente o acesso ao crédito, com parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento.

A facilidade é evidente. Mas seus efeitos também começam a aparecer dentro das empresas.

Na rotina de Departamento Pessoal da Thargo, temos acompanhado trabalhadores acumulando diversos empréstimos e comprometendo parcela significativa da remuneração.  Já nos deparamos, inclusive, com funcionários com sete contratos simultâneos, cujos descontos somados ultrapassaram significativamente a margem legal aplicável (35% da remuneração disponível).

Portanto, não estamos apenas diante de uma discussão sobre educação financeira.  É uma situação que já chegou às folhas de pagamento.


🏢 O empresário entrou em uma relação que não criou

O empréstimo é contratado entre o trabalhador e a instituição financeira.

O empresário:

  • não escolhe o banco;
  • não participa da análise de crédito;
  • não determina o valor emprestado;
  • não avalia a capacidade financeira do funcionário.

Mesmo assim, a operação chega à empresa para processamento na folha.   E, quando o salário líquido começa a não ser suficiente, aparecem outros reflexos:

➡️ pedidos de adiantamento salarial;
➡️ antecipação de 13º salário;
➡️ antecipação de férias;
➡️ pedidos de empréstimos diretamente à empresa.

É nesse momento que surge um dos pontos que mais nos preocupam, o empresário, que não participou da contratação da dívida, passa a financiar indiretamente seus efeitos.

⚠️ A própria empresa pode começar a funcionar como uma extensão do crédito do funcionário.

 


🔄 Quando o crédito vira parte do orçamento

Crédito não é necessariamente um problema. Pode resolver uma emergência ou até substituir uma dívida mais cara.

O sinal de alerta aparece quando um novo empréstimo passa a ser necessário simplesmente para fechar o mês.

💰 Contrata-se um empréstimo.
⬇️ A parcela reduz o salário disponível.
📆 Falta dinheiro no mês seguinte.
💳 Surge outro empréstimo ou adiantamento.
🔄 E a roda continua girando.

Por isso, existe uma diferença fundamental:

Ter margem para contratar não significa ter capacidade financeira para pagar.


📰 E se o próximo empréstimo não vier?

Uma reportagem publicada pelo UOL, em 5 de setembro de 2026, pelo jornalista José Paulo Kupfer, aborda a preocupação do Banco Central com regras consideradas insuficientes para evitar a concessão irresponsável de crédito, em um cenário de elevado endividamento e inadimplência das famílias.  O crescimento dos consignados também aparece nesse contexto.

Um eventual endurecimento dos critérios pode significar maior dificuldade para conseguir novos empréstimos. Dependendo das condições e do perfil de risco, o crédito disponível também poderá se tornar mais oneroso.

Para quem utiliza crédito ocasionalmente, uma negativa pode significar simplesmente adiar uma compra.  Mas existe uma pergunta muito mais preocupante:

❓ O que acontece com quem já precisa de um novo empréstimo para conseguir suportar os anteriores?

A facilidade de apertar um botão e conseguir mais crédito pode não estar disponível amanhã.  E, quando essa engrenagem parar, parte da pressão provavelmente chegará a quem está mais próximo do trabalhador:  a empresa.


🚨 A EMPRESA NÃO DEVE SE TRANSFORMAR NA PRÓXIMA LINHA DE CRÉDITO

Esse talvez seja o principal alerta que gostaríamos de deixar aos nossos clientes.  É natural que o empresário queira ajudar um funcionário diante de uma dificuldade.  Um adiantamento ou auxílio excepcional pode fazer parte dessa relação.

O problema começa quando a exceção vira rotina.

Se a empresa passa sucessivamente a antecipar salários, férias ou 13º, ou a conceder empréstimos para compensar uma remuneração já comprometida, pode estar apenas transferindo o problema para o mês seguinte.

⚠️ Sem perceber, a empresa passa a funcionar como uma extensão do sistema de crédito daquele trabalhador.

 


🛡️ Informação e limites também são formas de prevenção

Não cabe ao empregador controlar a vida financeira de seus funcionários ou determinar como devem utilizar seus salários.  Mas a boa intenção de ajudar pode acabar alimentando o mesmo ciclo que pretendia resolver.

A empresa pode:

✅ orientar sobre o uso consciente do crédito;
✅ alertar para o risco de sucessivos empréstimos;
✅ estimular o funcionário a avaliar o custo total da dívida, e não apenas a parcela;
✅ estabelecer regras claras para adiantamentos e antecipações;
✅ definir uma política para empréstimos concedidos pela própria empresa.

Inclusive deixando claro, se essa for sua decisão, que a empresa não funcionará como fonte recorrente de crédito para solucionar endividamentos pessoais.

Isso não significa deixar de ajudar diante de uma verdadeira excepcionalidade.   Significa evitar que a excepcionalidade se transforme em rotina.


⏰ Por que estamos fazendo esse alerta agora?

Nossa preocupação na Thargo nasce daquilo que estamos observando na prática, nas folhas de pagamento e na rotina de nossos clientes.

O Crédito do Trabalhador pode ser uma ferramenta útil quando utilizado com responsabilidade. Mas facilidade de contratação precisa caminhar junto com capacidade de pagamento.

E, diante da possibilidade de critérios mais rigorosos para concessão de crédito, talvez este seja justamente o momento de conversar sobre o assunto, antes que a próxima fonte de crédito deixe de estar disponível e o problema chegue ainda mais forte à empresa.

E por fim, elaboramos uma CARTILHA CRÉDITO CONSCIENTE para divulgação entre seus colaboradores.

Cartilha_Credito_Consciente_Thargo

Além de questões financeiras, há relatos de colaboradores faltando ao trabalho assumindo funções extra contratuais para manter os compromissos financeiros.  Tentemos evitar ao máximo esses efeitos negativos bater em nossa porta.

 

THARGO CONTABILIDADE
30 anos ao lado das empresas e das pessoas que fazem parte delas.

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Escrito por:

thargo@editor

Especialistas em contabilidade para prestadores de serviços e Lucro Real, a Thargo atua há mais de 30 anos ajudando empresas a crescer com segurança e mais controle.
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